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Custos e orçamento

Quanto custa uma integração entre dois sistemas

O que define o preço de uma integração entre sistemas, por que o tratamento de erro é a parte cara e como comparar orçamentos de verdade.

Por Publicado em 3 min de leitura

Resposta rápida

O custo de uma integração não é definido pela quantidade de telas, porque integração não tem tela. Ele é definido por quatro coisas: quantos sentidos os dados andam, quantos tipos de dado são trocados, o quanto o seu sistema atual facilita o acesso, e o volume. A parte cara não é conectar os dois sistemas quando tudo dá certo — é tratar o que acontece quando um deles falha, e é nesse ponto que orçamentos baratos costumam estar incompletos.

Neste artigo
  1. Os quatro fatores de preço
  2. Por que um orçamento é metade do outro
  3. Ferramenta pronta ou desenvolvimento
  4. Como pedir um orçamento que dá para comparar
  5. O retorno é fácil de calcular

Integração é um dos poucos projetos de software em que dá para orçar com precisão razoável. Não tem tela para desenhar, não tem experiência de usuário para discutir, não tem escopo que cresce sozinho na reunião.

E mesmo assim dois orçamentos para a mesma integração chegam com valores que diferem em três vezes. Quase sempre pelo mesmo motivo.

Os quatro fatores de preço

1. Quantos sentidos os dados andam. Só enviar é simples. Enviar e receber mais que dobra o trabalho, porque cada sentido tem seu próprio tratamento de erro.

2. Quantos tipos de dado. Pedido é um. Pedido, cliente, produto, estoque e financeiro são cinco objetos, cada um com regras próprias de conversão e validação.

3. O estado do seu sistema atual. Se ele tem API documentada, o trabalho começa no segundo dia. Se os dados só existem numa tela, ou se o banco é um emaranhado sem documentação, boa parte do projeto é descobrir onde a informação mora.

4. Volume. Dez registros por dia e dez mil por dia pedem arquiteturas diferentes. O segundo caso exige fila, processamento em lote e monitoramento.

Por que um orçamento é metade do outro

Aqui está a resposta quase sempre: o barato não previu o que acontece quando falha.

Conectar dois sistemas no caminho feliz é rápido — um desenvolvedor experiente faz em dias. O que leva tempo é tudo o mais:

  • Fila e reenvio. Toda API fica fora do ar em algum momento. Sem fila, o registro simplesmente some.
  • Controle de duplicidade. Se o reenvio não souber o que já foi processado, você cria pedido duplicado e estoque errado.
  • Limite de requisições. Funciona nos testes com cinco registros e quebra na primeira segunda-feira cheia.
  • Dado que não encaixa. Cliente sem inscrição estadual, produto sem código fiscal, CEP incompleto. Precisa existir um lugar onde isso aparece para alguém resolver.
  • Quem manda em quê. Se o preço pode ser alterado nos dois sistemas, um vai sobrescrever o outro. Essa decisão é anterior ao código.

Peça para cada fornecedor explicar como trata esses cinco pontos. A resposta diz mais sobre o preço final do que o número da proposta — o detalhamento prático está no artigo sobre integração com o Bling.

Ferramenta pronta ou desenvolvimento

Nem toda integração precisa ser desenvolvida.

Plataformas de automação conectam serviços populares por mensalidade, sem código. Resolvem bem conexões simples e de baixo volume. É o caminho mais barato quando serve.

Elas param de servir quando:

  • O volume cresce e o custo por execução passa a pesar.
  • A regra é específica demais para o que a plataforma permite.
  • O tratamento de erro precisa ser mais sério que “tentar de novo”.
  • Um dos sistemas não tem conector pronto.

Avaliar isso antes de contratar desenvolvimento é honesto e economiza dinheiro.

Como pedir um orçamento que dá para comparar

Leve quatro informações, e as mesmas para todos:

  1. Quais sistemas, com nome e versão.
  2. Qual dado precisa andar, e em que sentido.
  3. Com que frequência, e qual o volume diário.
  4. O que não pode acontecer. Pedido duplicado? Venda sem estoque? Isso define o nível de rigor necessário.

Com essas quatro, propostas diferentes passam a descrever a mesma coisa — e aí o preço vira comparável.

O retorno é fácil de calcular

Diferente de outros projetos, aqui a conta é direta: quantas horas por mês alguém gasta redigitando, e quantos erros isso gera.

Se são duas horas por dia, são quarenta por mês. Integração que custa o equivalente a dois ou três meses desse tempo se paga no primeiro trimestre — e continua pagando.

Se quiser uma estimativa do seu caso, me chame. Com as quatro informações da lista, dá para dizer em trinta minutos se é projeto de duas semanas ou de dois meses.

Perguntas frequentes

Por que um orçamento de integração é metade do outro?

Quase sempre porque um deles não previu tratamento de falha. Conectar dois sistemas no caminho feliz é rápido. Fila para reenvio, controle para não duplicar, limite de requisições e um lugar onde o erro aparece para alguém resolver é o que separa integração que dura de integração que quebra na primeira segunda-feira movimentada.

Integração é cobrada por projeto ou por hora?

Como o escopo é delimitado, costuma caber em projeto fechado, e isso protege você. Se o fornecedor só aceita por hora, normalmente é sinal de que o escopo não está claro o bastante — e vale fechar o escopo antes de fechar o preço.

Preciso pagar manutenção depois que a integração está pronta?

Vale prever. APIs mudam de versão, credenciais expiram e regras de negócio evoluem. Não precisa ser contrato caro, mas precisa existir alguém responsável quando parar. Integração sem dono é o tipo de coisa que só é notada quando o prejuízo já aconteceu.

Posso usar uma ferramenta pronta em vez de mandar desenvolver?

Pode, e às vezes deve. Para conexões comuns entre serviços populares, plataformas de automação resolvem por mensalidade e sem desenvolvimento. Elas param de servir quando o volume cresce, quando a regra é específica ou quando o custo por execução passa a pesar mais que um projeto próprio.

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Foto de Thainan Prado

Quem escreve

Desenvolvedor full stack sênior com mais de 8 anos de experiência, responsável por sistemas em produção para empresas como OXXO, Ambev e Shell Select. Desenvolve sistemas sob medida, automações e integrações para PMEs e empresas médias de todo o Brasil.

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