Sistema para empresa de energia solar: proposta, obra e pós-venda
O que um sistema para integradora de energia solar precisa ter: dimensionamento, proposta, homologação na concessionária, obra e monitoramento.
Resposta rápida
Uma integradora de energia solar precisa de um sistema que acompanhe o cliente em quatro etapas longas: proposta com dimensionamento e simulação de economia, homologação na concessionária com prazos e documentos, execução da obra com equipe e materiais, e pós-venda com monitoramento de geração. O que quebra os controles improvisados é a duração: entre a proposta e a energia ligada passam meses, e cada etapa tem prazo externo que ninguém controla.
Neste artigo
A proposta foi enviada em março. O cliente aprovou em abril. A homologação entrou em maio. Em julho alguém pergunta como está aquele projeto e ninguém sabe responder sem abrir três conversas de WhatsApp e uma pasta no computador do engenheiro.
Energia solar tem um problema que poucos setores têm: o ciclo é longo e boa parte dele depende de terceiros. É isso que derruba controle em planilha.
As quatro etapas, e por que elas são diferentes
Proposta e dimensionamento
Entra consumo histórico, área disponível, tipo de telhado e orientação. Sai potência, quantidade de módulos, inversor e simulação de economia.
Essa parte muitos softwares do setor já fazem bem. Se a sua integradora ainda dimensiona em planilha e monta proposta no editor de texto, comece por aqui — é o ganho mais rápido e mais barato.
Homologação na concessionária
É onde o projeto trava, e é o item de maior retorno de um sistema.
Cada concessionária tem fluxo, prazo e exigência documental própria. O sistema precisa guardar:
- Número do protocolo e data de cada movimentação.
- Qual documento foi exigido e qual ainda falta.
- Prazo regulatório de resposta, com alerta quando estoura.
- Vistoria agendada e troca de medidor.
Sem isso, a integradora descobre que o processo parou quando o cliente liga perguntando. Com isso, descobre no vigésimo dia e cobra.
Execução da obra
Aqui é ordem de serviço clássica: equipe alocada, material separado, data, checklist e registro fotográfico. O mesmo tipo de estrutura descrito em sistema de ordem de serviço sob medida.
O detalhe específico do setor é o material por obra: módulo e inversor são caros e têm número de série. Saber qual equipamento foi para qual telhado é exigência de garantia, não preciosismo.
Pós-venda e monitoramento
A obra acaba, o contrato não. O cliente espera a economia prometida na simulação, e vai cobrar se ela não vier.
Acompanhar geração real contra a estimada transforma reclamação em manutenção preventiva — e abre conversa de ampliação com quem está satisfeito.
Onde a margem some
Integradora costuma saber o faturamento por obra. Poucas sabem a margem.
O que precisa estar amarrado à obra:
- Custo real do equipamento naquela compra, não o preço de tabela. Módulo e inversor variam de preço e de câmbio.
- Mão de obra, com as horas que a equipe realmente gastou.
- Deslocamento, que em obra distante pesa mais do que parece.
- Retrabalho: volta para ajustar, laudo refeito, vistoria reprovada.
O retrabalho é o que mais escapa, porque não entra em lugar nenhum. É também onde costuma estar a diferença entre a margem imaginada e a real.
Pronto, sob medida ou o meio-termo
Comece pelo pronto. Existem produtos do setor com dimensionamento e proposta, e reconstruir isso não se paga.
O sob medida entra quando a operação cresce de forma que o produto não acompanha: rede de parceiros vendendo em seu nome, financiamento próprio ao cliente, ou carteira grande de monitoramento — quando a gestão deixa de ser obra a obra e passa a ser por carteira.
O meio-termo costuma ser o melhor negócio: manter o software de proposta e construir só a peça que falta — o acompanhamento de homologação com alerta de prazo, ou o painel de margem por obra. Projeto pequeno, de escopo fechado.
Como decidir
Três números do trimestre passado:
- Quantos dias, em média, entre proposta aprovada e energia ligada?
- Quantos processos de homologação ficaram parados por falta de documento seu?
- Qual foi a margem real da sua última obra, com retrabalho incluído?
Se o segundo número não for zero, o investimento se paga só nele.
Quer discutir o seu caso? Me chame.
Perguntas frequentes
Por que planilha não dá conta de obra fotovoltaica?
Porque o ciclo é longo e tem prazos de terceiros no meio. Entre proposta e ligação passam meses, com protocolo de homologação, vistoria e troca de medidor dependendo da concessionária. Planilha mostra o estado de hoje, mas não avisa que um protocolo está parado há vinte dias — e é justamente isso que trava faturamento.
O sistema precisa acompanhar a homologação na concessionária?
É o item de maior retorno. Cada concessionária tem seu fluxo, prazo e exigência documental. O sistema precisa registrar protocolo, data de cada movimentação e qual documento falta, com alerta quando o prazo estoura. Sem isso, a integradora descobre o atraso quando o cliente reclama.
Dá para calcular a margem real de cada obra?
Dá, e costuma ser revelador. O sistema precisa amarrar à obra o custo dos módulos e inversor na cotação daquela compra, a mão de obra da equipe, o deslocamento e o retrabalho. Integradora que orça pelo preço de tabela do mês passado trabalha com margem imaginária.
Vale desenvolver sistema próprio ou existe pronto?
Existem produtos do setor que cobrem proposta e dimensionamento. Comece por eles. O sob medida entra quando a operação tem rede de parceiros, financiamento próprio, ou carteira grande de monitoramento pós-venda, porque aí a gestão deixa de ser por obra e passa a ser por carteira.
Quem escreve
Thainan Prado
Desenvolvedor full stack sênior com mais de 8 anos de experiência, responsável por sistemas em produção para empresas como OXXO, Ambev e Shell Select. Desenvolve sistemas sob medida, automações e integrações para PMEs e empresas médias de todo o Brasil.